Monday, May 21, 2012

clique

harmonia desce em enxurrada violenta pelas veias, feito canos que recebem o empuxo da descarga.

a consciência da vida, ainda que desconcientize-se em meia hora ou vinte anos.. .. . é o botão.


já o dedo que o impulsiona são vários, nenhum ou até todos juntos.

nu. |ú|

Tuesday, April 10, 2012

exige

O morro bebe no missipi.

Mas não me altere o samba tanto assim.

Dá pra viver junto, dá pra rir

Você feito você e eu de mim

Riminha pobreta, métrica careta

Falando bobagem, na bebericagem

Só na malandragem

Mas venho e saio do compasso, improvisa contrabaixo (solo)

Perco o elo, coltrane é belo, torce o cerebelo jazzzzzzzz

Troque o seu não pelo meu sim

Vem viver feliz junto de mim

Dá pra viver junto, dá pra rir

Você feito você e eu de mim

Thursday, March 29, 2012

bão, sô!

estranharam-se no trânsito e um bota a cara pra fora:

- fidapuuuuta!

o outro:

- fidapuuuuta?

o um:

- é!

o outro:

- cêé de ribeirão?

o um:

- sôôô!

o outro:

- eu também! bão?

o um:

- bããão!

Saturday, March 03, 2012

aminhã, tá?

se essa terra nossa tem zanzilhões de anos, mesmo que vez ou outra tenha tido dias e noites mais ou menos curtos, já se passaram uma cacetada deles. os dias, depois das noites (ou antes). todo tipo de criatura que aqui morou, nesse tempo todo, viveu a ideia de fim e começo, de virada, de ponto de descanso, de mesmo simbólica renovação. a amebinha tava no bembom do orvalho e foi tostada logo que pintou o sol. o tê-rex dormiu de barriga pra cima e acordou de lado, já com a lombriga pedindo o desjejum. uma dormiu lagarta pra acordar borboleta. outra deixou pra amanhã trocar o rabito porpernocas de rã. e quando chegou no vulgo sapiens, daí variou a valer. amanhã eu falo pra ela. amanhã peço as contas. amanhã corto o cabelo. amanhã dou um jeito na casa. amanhã sara.

tic tac tic tac triiiiiiiim!!!!!

virou?
virá?
vi.

Thursday, August 18, 2011

andradina

enquanto ela pensa, eu canto

pr´afugentar o espanto (2x)



fala comigo da questão espacial, eu animo

mas completa com a louça pra lavar, desatino


lida com palavra feito número

discorre em prosa que nem máquina de somar



bota emoção numa reta

faz da minha vida sua régua

calcula o tamanho da gota

que para mim vai rolar



tira a medida do tombo

fareja a minha expressão

pra decretar o castigo

justinho pro meu coração



e enquanto ela pensa.... eu canto!

pr´afugentar o espanto (2x)



pergunta o quê e como e quando, onde e qual

meia na pia vira um imenso temporal

toda a poesia se mistura à comida do dia

me pendura na ponta do lápis pra depois dormir


me pendura na ponta do lápis pra depois dormir


me pendura na ponta do lápis pra depois dormir



Friday, August 12, 2011

e é por isso que existe a arte

que existe a literatura, a pintura, a música.

e digo mesmo as ficções, os romances, as coisas inventadas simplesmente pela poesia, qualquer seja a forma. o realismo fantástico, o surrealismo e todas as escolas.

o homem é bom enquanto artista.

porque a relação social é um horror.

a gente não se acha enquanto conjunto. e tá cada vez mais difícil.

e assim é a história, diriam os mais estudados. e por isso mesmo. ume repetição de quem manda mais, quem come quem, isso é meu, nem vem que não tem.

lindo é o homem que pula pela janela pra sair pintando outros mundos.

esses, que muito foram crucificados como alienados. bom, os mesmos estudados acima viriam rápido dizer que viver nessa alienação é virar as costas para o seu papel na mudança de tudo.

certo. e muito digno.

mas tem tanta sujeira aí pra cima que cedo à tentação de pensar que revelador seria vivermos mais de fantasia, como caminho para uma realidade com mais cor.


Sunday, July 17, 2011

adelaide, rou!

faaaaaalta para o brasil!!!!


ele partiu de imediato, sabendo que era para ele. dali, cantinho direito da área maior, bastaria escolher o espaço e o método para a bola entrar. rumou para o ponto branco pedindo a munição. pegou-a com a firmeza de quem recolhe um filho ao colo e a encaixou no berço exato para a menina. tinha a forma fresca da mesma como uma almofada recém usufruída por uma gorducha. nem piscou os olhos e enquadrou a perspectiva do gol à frente. todos os miravam. o zagueiro assustador com olhos del diablo. o goleiro era o reflexo de ume mulher insegura (perdoem o eventual pleonasmo), sem decidir onde fixar o olhar. um caçador de borboletas. sete outros paspalhos degladiavam aos beliscões três metros além da meta. pensou em algumas hipóteses e em alguns segundos partiu para ela, optando pelo ângulo esquerdo livre, clamando ocupação feito uma puta, que recebe e sente prazer com a penetração perfeita.

invertendo completamente a tomada, na diagonal oposta ao gol e ao batedor, no meio da arquibancada, ela movia os lábios molhados de expectativa. pedia aquele gol naquele momento também em câmera lenta. e, como um segundo tento, na mesma trajetória seguinte ao ângulo das traves, seu decote chorava pela bola como se fosse o último dos trigêmeos que fora brincar (ou quicar) por aí.

ele, nem por intervenção físico-espiritual teria a recatada dona em sua espaçosa cabeça. pensava apenas na caçapa que em breve receberia sua pequena.

chutou.

a redonda, caprichosa, delineou um rastro meio de fumaça, meio de purpurina dourada, um arco perfeito, elegante e preguiçoso navegando pelo ar. porém, bem maior do que 3/4 dos torcedores no estádio torciam e esperavam. e, para a meia dúzia que assistiam hipnotizados as crianças da madame da arquibancada, a terceira cria voa com tudo e a beija, com tremenda fúria, bem no meio da testa.

Monday, June 20, 2011

senhoras, senhores e todos os mais

todos aqueles que amaram... o que um dia acabou.

assim .


vácuo interno . . ! fââââÂâlta de ar.

estampido intermintente

falta de fome, muita sede destilada. ......

um poço cheio de poesia na desgraça daquela dor que funde e amassa aqui por dentro de tal jeito que o osso vira pó envenenando a hemoglobina.

e... neste momento. .. . . .como um filme bem dos óbvios, clichês e ambos, a trilha sonora brota do ar como composto naquele exato segundo e para durar dias ou uma vida inteira. .. ..


abaixo ums dessas... .não, necessariamente, nalguma ordem . . .. .

garçom... . . . . aqui nessa mesa de bar...



http://www.youtube.com/watch?v=DXg6UB9Qk0o



http://www.youtube.com/watch?v=SvAg1BVftts



http://www.youtube.com/watch?v=fYnYtT88mCI&feature=fvwrel




http://www.youtube.com/watch?v=za3sJbw822Q

Thursday, May 19, 2011

My Inspiration Is Your Reaction

http://www.youtube.com/watch?v=tj1JC1JmNYw&feature=related

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Friday, May 06, 2011

"...e por falar em saudade..."

saudade de quando me viu
e reviu na retina
a mesma menina,
inquitea, quietinha.

no reflexo complexo de um gesto
fez do meu globo seu mundo
e ela, única inquilina.

percorria minha mente correndo
de um lado pro outro
sorrindo e fugindo
e crescendo além.

me acordava e pulava
e cantava e me amava bem leve
fingindo não estar.

cheiro cor de rosa agarrava
minha nuca e definia meu destino
e eu ia, a voar.

Monday, March 28, 2011

vai delfim!

que nem um carro cuja dona não passa da terceira .

ou uma baleia que só come sardinha em lata . . .

. . jogador bom no botafogo!

. . vai que nem ferrari na mão de barrichello.




vai ser publicitário! vai escrever no twitter!

vai delfim!

alongamento

. . . . . e como se uma força descomunal pressionasse colossais chapas de ferro de um petroleiro, movendo-as 3mm ao mês, ele abriu os olhos. . . .

bundão é aquele que foge da sua obrigação

. .. .seja ela adevogar, curar, ensinar, escrever.. . ..

. . . até mesmo eu, cuja sina é vagabundear!

onde eu tava mesmo?

Saturday, October 30, 2010

samba de novo horizonte

eu vou agora
por um vintém
fazer a vida que eu sempre pedia e nunca veio

eu vou embora
nem vem que não tem
chegou a hora de fazer trouxa e comprar a passagem

pra que vou querer mais dinheiro
ou vagar pelo mundo inteiro
eu vou agora a partir de janeiro
eu vou pro rio, vou de trem

(bis)

eu vou pro rio
eu vou de trem

eu vou pro rio
eu vou de trem

Saturday, October 23, 2010

receita pra mandar o resfriado pro beleléu

conselho, quando é bom, não deve ficar guardado...


meu bom: repouse de verdade, paralise o corpo e mantenha exclusivamente (e em demasia) atividade cerebral. .. .bastante no primeiro dia, menos no segundo e no terceiro estará pronto para nadar 1800 metros... . .

o primeiro dia é como a rodada inicial do truco: você deve matar de qualquer jeito. coma bastante, de conchiglione aos quatro queijos até sopa de legumes com gengibre. . . ..

o dia do meio é interessante, mas exige absoluta sensibilidade. . é a hora de arriscar conforme a malemolência do corpo se dissipe por instantes.. .. e ela finge. . fique esperto para saber se ela se foi, qdo volta ou se está apenas à espreita, atrás da porta feito clara crocodilo. . . .. se for capaz disso, poderá começar o dia com um farto café da manhã. . . frutas, mel e carboidrato, bem-vindaços... e líquido para um dilúvio.. .. .

daí por diante, você pode dançar na sala ler um livro na rede dar uma umazinha assistir um filmito beber chá com uísque relaxar no sofá fazer compras de carro flertar com a cama e até sair pruns copos com os amigos ao fim do dia, no máximo até 1 da matina. .

se dosar bem, no terceiro dia é tomar café, acabar o livro de anteontem e rumar pra piscina. . . .

meu irmão... ao sair dela, o que não vão faltar são flores pra te receber.

Saturday, October 16, 2010

a terra é um velho tapa-uér, enconstado no entulho do quintal de deus.

que a vida dos homens é como um velho tapa-uér, deus já devia ter lido aqui no meu blog (mais por Ele tudo ver do que, propriamente, algo daqui ser de divino interesse)... basta fechar a tampa de um lado para que o outro salte.

agora imagine a vida humana atual projetada em um panlígono de plástico translúcido, com uma gigantesca tampa entrecortada milhares de vezes para servir justamente no respectivo pote, abraçando todos os lados como a suvidade do pouso de um disco voador.... vuuuuuushhhhh....

mas, como luzinhas de natal que não funcionam se uma delas queimar, ou ainda como um católico prostrado ao se ver nu num bacanal e volta atrás, a ponta da tampa mal cola os beiços nos do pote e uma outra, do outro lado, sobe feito magrelo na gangorra.

é o goleiro que fez a namorada de strogonoff......

.. . . .é o video game real palestina vs israel. .. ..

. . . . .reator nuclear russo, em caracas. . . ..

... . .pelé ao microfone. .. ... .

... . .moleque crackeando no lugar do almoço. .

.. . .. nêgo parado em vaga de deficiente. . ..

. .. . . óleo no mar, gás no ar... . . .

enfim, tudo aquilo que distancia cada vez mais o homem do animal... e isso é pessimo... como disse alguém, a principal diferença entre os homens e os bichos é que os primeiros têm consciência de que são irracionais. . .. .

é.. .. . a terra é um velho tapa-uér, enconstado no entulho do quintal de deus.

Thursday, October 07, 2010

tudo É nada

... .. . . .... se, no primeiro momento, pareceu-lhe descabido, logo pensou que não se tratava de uma novidade.. .. .. afinal, conhecia quebra-cabeças das caixas de cereais até os bem menos banais. . .. . de paisagens divididas às centenas aos bichos ou personagens esquartejados em 4 peças.... . . . . .

surpresa foi quando debruçou-se sobre o lixo para apontar seus lápis de escrever
e avistou dezenas de pedacinhos de papel, à deriva.

voltou os olhos ao nível da mesa, buscando pistas para o fenômeno.

jazia ali a carta dela.

voltando ao cesto, saltou nítida nos cacos sua caligrafia.

colhendo um a um como quem costura o passado em colchas de fotografias, uniu as peças, que se ajustavam de ao menos 3 maneiras possíveis.

empreendeu cinco ou seis horas nas composições ouriçais e escreveu milhares de histórias conforme cada reajuste e nova experiência de junção.

mais tudo ali era eles. de todos os jeitos.

possíveis, inimiagináveis, vividos, imaginários.

e, depois de tudo confirmado na carta sobre a mesa, 18.831.984 de possibilidades estavam reduzidas

ao óbvio.

Saturday, July 24, 2010

xi, twittei no blog!

a mão faz, a palavra crucifica.

a translação da lua

ô lua boba de cheia
intrusa fuxiqueira
nem deitar me deixa
se adormeço, clareia

seja dama à flamenco
ou camarada boêmio
a amada, a contento
haja bossa ou lamento

lua cheia, chama na sala
quando no céu se estala
mas chega a madrugada
e faz no quarto sua escala

Saturday, July 10, 2010

mudou-se pro ipê amarelo

tiraram o velho pote de ouro

lá do fim do seu arco íris

obra de um duende ocioso

de sarro quis mudar diretrizes


mas eu já descobri

seu lugar paralelo

foi parar logo ali

no pé do ipê amarelo


(continua...quando eu voltar do ipê amarelo, vou de bicicleta e não breco. antes a janela destramelo pra ver na copa das árvores esse ouro singelo. adeus você, até a volta, com o pote nas mãos nos veremos então. para que prove desse rico metal, compre tudo que lhe tire seu mal. segure as pontas e relaxe a pestana, qu´em duas piscadas eu já volto com a grana)


busquei no bosque o dia inteiro

na praça, na estrada ou jardim

nem flor e nem a árvore veio

queriam é passar trote em mim


eu então conformado

não tem ouro vem ferro

fui voltar pelo lago

topei com ipê amarelo


que pote, que nada

no pé do danado

que ouro, que prata

só flor no chão forrado


foi bom porque eu já tinha perdido

a esperança que brilhara pra mim

pensei então: duende sabido

a flor é mais que ouro ou marfim


fim

Friday, July 09, 2010

d´existir

vem, diz pra mim

se sou eu bem aqui

que sobrou do ser

que deixou de querer

não tem tu vai tu

coma, só tem o frito

toma o troco de bala

breja quente na lata

ah eu não vou reclamar

mais um cá que dois lá

vem dormir, deixa estar

não perca tempo em sonhar

valeu você venceu

errado aqui só sou eu

o que quis, se perdeu

acorda pro mundo, ateu.

insisto? e sinto. e sim, tô.

faz tempo que me deixei

para seguir o que não sei

às vezes sinto nos dedos

e provo o autêntico aroma

mas muda um grau o ponteiro

esvai-me sem pistas, só ais

volto ao vácuo infinito

um pentelho branco a mais

o que vivo era, quedou

cores, sons e porquês

são agora brisa leve

lembranças do que nunca houve

emaranho-me por legos

fácil ligar, lidar, brincar ser feliz

pra em seguida, sedento

buscar a peça rara. impossível?

pela falta d´outra doutrina

das que nunca foram minhas

mais uma ilusão deflagrada

mais uma esmurrada na faca

Tuesday, July 06, 2010

rasguei (letra prum róqui com sucrilhos)

desculpe meu humor matinal
eu juro que não faço por mal

a cólera sem causa me inave faça frio ou faça nada em densidade se arrasta pelo corpo são


corrói até o iogurte integral
nem respirar parece mais natural

dobro os joelhos com o peso e sem sentido agora eu vejo todo desejo em teu sorriso não


desculpe meu humor matinal
mas dói de um jeito pouco normal

minha repulsa com o latente veredicto o contraponto entre o existo e o desisto me lacera então


desculpe meu humor matinal
perdoe meu amor imortal

desculpe meu humor matinal
perdoe meu amor imortal

Monday, June 14, 2010

sai de mim

tire esse caco daqui
ele tá atravessado
no meio das costelas
enervando a sua volta

o espinho, rranquem!
da minha omoplata, svp
pinça, extirpa, mata!
sai zica, sai praga! eei!

cubram o sol que ofusca!
e me racha a cuca, louca.
tapem-lhe as ventas
se manda, se pula! Vai!

Tuesday, June 08, 2010

sonetim do sem-dom

a certa altura, palavras não bastam

adjetivos todos são aquém sujeito

gramática não fez regra que aporte

falta verbete no maior do aurélio


nessa hora tudo é pouco a traduzir

ou qualquer significado atribuir-lhe

tantos eram mas todos se erram

austera barreira a interrogação


vendo a alma por um dom
que diga agora o que não posso
fartas as letras como estão

artista das cores, um pintor
pois estou perdido por ela
cuja beleza afana palavras

Monday, May 10, 2010

. . ..... .. . o melhor da minha vida mal rende má literatura.. . . . .

Monday, April 26, 2010

tá escrito e ponto.

escrever é dar brinquedo aos dedos

e ao mesmo tempo fazer, sem parar

cócegas na maior parte do cérebro


é brincar de deus com seu servo:

o papel que não resiste, tudo topa

ora pro bem, bem mais pro mal


é humilhante se se tem literatura

é libertário se se sente agoniado

é perigoso se se está apaixonado


escrever é preservar o tempo

escrever é gastar o tempo

escrever é viver

o não viver

do tempo

.

golpe baixo

às vezes prefiro ficar surdo

a privar o caro estômago

da sensação. deixa-me curvo.


o ilustre mais um par de entranha

vibra no mesmo volume.

e ele grita! e exclama!


quando tocam clarke nem se fala

pastorious, sizão, ray brown

ou algum do nível que os valha


peco ao preferir a surdez

a não desmiolar os vizinhos

pra sentir o contra-baixo na tez

o que eu passava enquanto o tempo passava

daqui não vou falar tudo que disse nesse tempo calado.

tão útil seria quanto lamentar o caminho não percorrido enquanto andava.

não vou culpar tudo aquilo ou a quem não passaria de uma desculpa. ou duas.

tampouco justificar os excessos a que não me furtei só para esvaziar. . ..me.

mas vivi. e bebi. e sonhei. e trepei. e caí.

e comi. e saí. e ralei. distraí, desisti.

e cantei. e chorei. e não sei? me perdi.

e voltei. e amei. eu senti. existi.

e pirei. e fervi. e coei. me servi.

e ganhei. não rezei. abracei. resolvi.


e logo em seguida fugiu, nas costas de uma libélula zarolha, dentro de dois embrulhos de papel pardo, aquilo que era simplesmente tudo isso.

Wednesday, January 27, 2010

pororoca de si

nada

nade

mergulhe nu

apontando o âmago como a lança de um arpão

mire apenas a intenção de profundidade

naufrague no silêncio absoluto, deeper and deeper

desfaça-se de tudo que não seja eu

insira-se no descontexto. você é apenas um ser vivo.

prove a desconstrução esvaindo-se na pororoca

no encontro de suor, lágrima e sangue

desprendidos de si.

Tuesday, December 29, 2009

em 2010, seja verde.

o que o ribeirão-pretano quer ser quando crescer?

frequentador da única.

Tuesday, December 15, 2009

mulheres. sempre surpreendentes.

- querida, te encontro em frente ao posto,
para enchermos os pneus das bicicletas.

mas vou sem celular, ok?


- mas e se nos desencontrarmos?


- vamos ter de nos virar como antigamente!


- usando a intuição!


- não, meu bem. só a prévia programação.

Friday, December 11, 2009

submarino invisível

hoje eu peguei um submarino

que flutua no ar sem ninguém ver

fui navegando a esmo, porém não ele

sabe-se lá como foi programado

para flagrar meus conhecidos

desde distantes aos queridos

e fui lá eu, num voyerismo inédito

vi sêo luiz devanear na entrada do prédio

pensando em como tirar da vida o tédio

viramos a esquerda e vi meu irmão

completando com alface e salame o pão

mas a cabeça, o pensamento, tava ali não

subimos 4 metros e minha mãe se perdia

usando com a samambaia toda a psicologia

pra descobrir o que de novo tinha o dia

e o submarino que ninguém vê
faz água de ar, e´inda tem mais
entra onde bem entender
pelas paredes, sem bater

subimos então o elevador com o coelho

que buscava algo em seu reflexo no espelho

viu-se regresso a seu tempo de fedelho

fomos parar a beira-mar, quando maria

em sua pele que por mais rubra não ardia

tragava da caipirinha sua eterna anestesia

de mar, pra mar, fui ter com tiago lá no tejo

vendo o sol se por do jeito que eu invejo

mas seu olhar além mar, além sol. quase cego.

subimos a prior coutinho, e ali tava o paulinho

em meio a obelixes e asterixes, ele abria caminho

na certeza de ir. para onde, não sabia um cadinho

e o roteiro continuou ao critério da nave

passei pela vienense do albergue de praga

pelo chris, em viena, o dono da rasgo, em espinho

pelo marmé em madrid, pela renate em paris

pelo gustavo no quadrado, sterlina australina,

passei por muita gente que nem supunha rever

cores, credos, estilos, manias, maneiras a rodo.

todos os tipos, de comum só o momento

exato ali, naquele quando, todos paravam

numa fresta de hora, pra pensar seu porquê

que só de um submarino invisível se pode ver.

Friday, November 13, 2009

detector de caretas

eu não tenho uma calça velha

tenho um detector de caretas

cada rasgo rende um cometário

da boca do primeiro figura

que me olha como um paspalho

abismado com meus frangalhos

impressionante como funciona

se é de manhã, vem antes do bom dia

se é amigo, vem antes do "como vai"

se é chefe, vem antes do "cê é hippie?"

fora as tiradinhas sempre originais:

cachorro te pegou? pulou a cerca?

virou mendigo? tá na moda, ein?

como pode chamar tanta atenção

se nem de perto mostra mais pele

que o vestido da mina da uniban

minha calça deliciosamente velha

incomoda mais que a mulher do padre

Friday, October 16, 2009

eu não existo

eu não existo.

isso é uma gravação

de uma máuqina programada para rir e fazer rir...

e vice-versa.



eu sou uma máquina programada para cutucar o nariz,

escovar os dentes, almoçar religiosamente todos os dias.



sou uma máquina...um androide programado para escrever,

para ler e assistir, inclusive dormir.


estou programado para dizer oi e tchau, roer unhas

e comentar sobre o tempo.


sou uma máquina apta a provocar uma guerra e incitar a paz.


sou uma máquina projetada com altos níveis de semlhença,

estética e funcional, com o que chamam de ser humano.



inevitável dizer...

que eu sou uma máquina programada para morrer.

verão que horário é esse

verão que o começo é difícil

mas o fim do dia recompensa

verão que o dia dura mais

e a noite não tem pressa

verão que a dor do calor

carrega a alegria da luz

verão que parece ilusão

mas a vida fica mais linda

com o horário de verão




e aos que suaram com o trocadilho, peço perdão...

Saturday, August 15, 2009

do meu mundinho, direto pra você

como vai, tudo bem?

aqui de bem a melhor

tem mousse com abacaxi

tucunaré, lambari

bem cedo me pinto de sol

bem tarde entro no lençol

tá chique meu toca discos

tem cinza n´água da piscina

kafta no forno, minhoca no bico

bloody mary inchando meu umbigo

tá certo, tem hora xumbrega

mulher que atrasa, apaga a vela

café amarga, rolha que esfarela

mas de resto, obrigado

não berro, não calo

tudo muito bonito

tudo muito brilhoso

sorriso odioso

sem risco, sem medo

de nada e de tudo

fácil fazer covinhas

mostrar os dentes

sem motivo.

por aqui vivo

é tudo vivo por aqui

não falta nada no mundo

além de você.

Wednesday, July 29, 2009

sábio flamboyant

um flamboyant traz em suas curvas
suaves rugas de sabedoria

pois passa a vida em contorcionismos
incríveis, piruetas que levam anos

percorre caminhos áereos que traçam
no ar curtas, mas quase eternas trajetórias

não é preciso sensibilidade aguçada
para se apaixonar por um flamboyant

ele cativa da semente ao cacho, naquele laranja
que é dele como uma chama de identidade

mas tudo isso é beleza, é encanto. perguntas-me:
mas e a dita sabedoria?

está na raiz... de se saber e se fazer maravilhoso
seja na ilha da avenida, cercado de admiradores

ou no meio de uma floresta,
alheio a olhos de quem quer que seja.

Thursday, July 09, 2009

me dá motivo

faz tempo que não escrevo aqui no brog.
poderia até me sentir mal ao reconhecer isto,
mas a nada levaria e mais: não sinto um pingo de culpa.

pois o que não me faltam são motivos para escrever.
e, se não o faço à tinta, escrevo mentalmente.

com a desgraça
e a maravilha

de fazer a história
em outra dimensão

mas descartável,
legada à efemeridade
da memória.

enfim, o causo que me traz aqui é um lindo motivo que rogava registro.

é importante
é tenso
é revelador
é bobo

nasceu o filho de um grande amigo meu.

malhado de vermei com branco
(ouvi dizer que é restício da placenta)

uma piroquinha tipo minduim e um saco feito ovo caipira

os zóim aberto, tudo curioso

chorando pra burro depois do insensato tapela nos fundos

e sacando só com os olhos . . . . a gatinha de rosa na caminha ao lado.


vem que vem, dé luiz.

Wednesday, June 03, 2009

. .. ... . .frio na barriga é sinal de fogo no coração... . . ... ... . .... .

o dia típico de outono encanta os olhos enquanto disfarça o sopro que gela a alma... assim como uma atípica linda mulher...

Monday, April 13, 2009

encontro

saiu de casa como se casa tivesse, sacudiu o que podia sem cair no chão.

o seu cabelo vinha em desalinho e num gel de sebo liso colou-se então;

sapato fosco de chutar lata e toco. um tinha meio cadarço, outro só um alfinete.

vinha sabido e absrovido: esse era o jeito menos pretensioso de viver a vida:

venha o que vier... e vem quem quiser....

.
depois de meia hora tinha oitenta escovadas torneando cachos impecáveis.

seu cheiro dava um negócio suicida de esquecer de expirar e só puxar...

de preferência do pescoço cor-de-rosa ou do seu laço, ou do seu lenço.

vinha bem certa de que a vida um dia lhe reservaria alguma pilantragenzinha.


e aí, resumindo a história assim bem querendo encaixar uma melodia

pro pessoal esquecer a letra e piraaaaaaar no som.... o maltrapilho se

apaixona pela elegante bonitinhaaaaa......

Thursday, April 09, 2009

abandono imaginário

o saudoso sêo paez disse certa vez: ver as pessoas é questão de preferência... o que subentendi que falta de tempo é mera desculpa para os menos importantes... desde então essa frase me instiga e incomoda... na tênue fronteira entre verdade absoluta e tremenda injustiça... e hoje, vivenciando uma das situações mais gostosas de devaneio (dirigindo sozinho pela estrada), pensei no tempo que fazia desde meu último post aqui no blog... seria displicência com minha mídia? ou com as próprias palavras? este último pensamento doeu... assim como pessoas de quem gosto muito mas não nos vemos ou falamos há anos... e foi neste cruzamento de pensamentos, pessoas e palavras que vivem mais na minha cabeça do que em minha frente, de que cheguei à conclusão... as pessoas que eu amo nunca serão abandonadas, mesmo que não as veja até meus olhos serem digeridos pelos próximos da cadeia alimentar... assim como as palavras que sacodem como milhos numa cabeça de pressão...

e tenho certeza de que sabem que não vivo sem pensar nelas, assim como amigos distantes e até próximos que por algum motivo não aparecem do outro lado da minha mesa no bar...

Saturday, March 21, 2009

ler é algo desestimulante...

...pra quem escreve.

e olha que eu escrevo pelo simples tesão de escrever, sem a mínima expectativa que alguém leia, salvas as exceções e com todo respeito a você, claro.

também acho que deve haver pessoas que compartilhem desse meu sentimento: alguém já disse, e muito melhor do que você poderia pensar em fazer, sobre coisa parecida com o que você escreveria.

isso é um lado. o outro é ler coisas das mais interessantes e geniais de um woody allen ou tião carreiro e pardinho, como podem atestar abaixo.


O mineiro e o italiano viviam as barras
Dos tribunais em uma demanda de terra
Que não deixava os dois em paz
Só de pensar na derrota o pobre caboclo
Não dormia mais
O italiano roncava nem que eu gaste alguns capitais
Quero ver esse mineiro voltar de a pe pra minas gerais
Voltar de a pe pro mineiro seria feio pros seus parentes
Apelou para o advogado fale pro juiz pra ter dó da gente
Diga que nós somos pobres que meus filhinhos vivem doentes
Um palmo de terra a mais para o italiano é indiferente
Se o juiz me ajudar a ganhar lhe dou uma leitoa de presente
Retrucou o advogado o senhor não sabe o que esta falando
Não caia nessa besteira se não nós vamos entrar pro cano
Esse juiz é uma fera, caboclo serio e de tutano
Paulista da velha guarda família de 400 anos
Mandar leitoa para ele é dar a vitória pro italiano
Porem chegou o grande dia que o tribunal deu o veredicto
Mineiro ganhou a demanda, o advogado achou esquisito
Mineiro disse ao doutor eu fiz conforme lhe havia dito
Respondeu o advogado que o juiz vendeu e eu não acredito
Jogo meu diploma fora se nesse angu não tiver mosquito
De fato, falou o mineiro, nem mesmo eu tô acreditando
Ver meus filhinhos de a pé meu coração vivia sangrando
Peguei uma leitoa gorda foi Deus do céu que me deu esse plano
Numa cidade vizinha para o juiz eu fui despachando
Só não mandei no meu nome
Mandei no nome do italiano



(quase chorei e quase chorei de rir ouvindo o causo pelos acordes de viola, piano e voz do "conversa ribeira"). maravilhoso.

Monday, March 16, 2009

quem lê essa revista?















pode ser o cara que tá louco pelo ronaldo, puto com os preços do ingresso mas tem o dom de ir de são carlos pro pacaembu ver zero a zero sem o impesável astro.

ou pode ainda ser o cara que tá louco com o ronaldo, puto com qualquer programa esportivo na televisão e grande parte da seção do jornal. aqui entre nós, esse último é evidente manifestação de dor de cotovelo. mas não é esse o assunto.

quem sabe seja o brother que saiu da escola, pegou a revista no sofá da sala e ali mesmo se jogou pra ler, enquanto rola um deep purple no ipod. sua irmã deixou ali quando chegou de manhã, como concluiu pelos flocos de cereal que foram pra sua cara logo no editorial.

bem capaz ser também o doutor flávio. ele tem todas as edições na sua sala de espera, evidentemente uma mais surrada que a outra.

dona silvia e maria joana, a nadadora master do clube da cidade, compartilham suas fofocas, novidades e besteiras como essa no yoga, de manhã.

pode ser o povo da facul que fica comentando no boteco sobre a periodicidade. nunca se sabe quando vai sair a próxima. e, dependendo do curso, pode ser quem fica se perguntando se é estratégia de marketing ou a turma questionadora da eventual efemeridade da informação, a desintegração do que é verdade no simples momento em que é dito ou escrito, para então perder seu valor.

certeza de que pode ser o sêo alberto, que lê tudo (até coisas menos públicas do que revistas e jornais) minutos depois de chegarem à portaria.

e eu tenho que pensar que pode ser até a madre helena, que desprega folha por folha pra forrar a gaiola do periquito.

ou o johnny, que leva pra academia para disfarçar seu cabeludo, mas real interesse visual.

quem sabe a dona olga, apreciadora de qualquer coisa que a vista lhe pesque, durante o cigarrim no cafezim da esquina da escola.

pode ser o mário, a valéria, o francisco, a fran, o chico, a ana maria e a ana carolina (não, não as gêmeas), o roberto e o beto, a vanessa, a van e a nêssa, o virgílio, o marco aurélio, a juliana, a julia, marina e mariana, e maria, a gabriela, bi e gabi, a marcela, o rodrigo, leandro, leonel e leonardo, fábio, mateus, o estevão, o guto, a sabrina e a carla, a rebeca, o carlito ou a vera.

pode ser o tio fred que matou o tadim do mosquito que subia no azulejo (tadim porque são aqueles inofensivos, de banheiro, saca?).

pode ser o zé matando tempo na banheira, a regina na fila do banco, a solange no trabalho, a zefa no serviço, o henrique na varanda, o washignton no telhado, o lau no intervalo, o ruy no supermercado, o lucas na lanchonete, a laura no bumba e o saulo no trem.

pode ser o igor, pela primeira vez, ou o rica, por curiosidade. ou a débora, assídua, ou estela, de ocasião. o juca, por falta do que fazer, ou então a joyce, por aparecer.

o laerte, quando esteve aqui. a elizete, que ganhou de presente porque é amiga do kiko, e disse poder mexer uns pauzinhos na mídia, gerar um auê, saca? ou a tânia, que picou as letras pra carta de sequestro, ou ainda o rômulo, que cortou o miolo pra esconder o jererê. o miltom só porque é revisor e pago pra isso. e pode ser a mariângela, o augusto, o douglas, o marcos, a lucila, o felipe, o ahmed, o rubens, a renata, o guilherme, a sofia e cada um dos anunciantes.



pode ser você, até. aliás, isso é bem provável. poxa, finalmente. não podia chegar aqui sem começar por um humilde:

licença. prazer. daniel.





esboço do meu primeiro texto pra revista circuladô, de são carlos.
ilustração....daya gibele

Sunday, March 01, 2009

vida velada

nasce que nem benjamin button

alta e de cabelo branco como um mago

e vai, ou melhor, vem do fim pro meio

da vida, diminuindo e esvaindo-se

consumindo-se, desfazendo-se

incinera a própria existência

ardendo viva, na paciência

num exercício vital de penitência

existindo para sumir em palmas

em preces, em trechos de hora

dias, meses ou, (rio) vidas.


e quando a última luz se for

terá-se ido tudo aquilo que

o olho do fogo registrou

enquanto havia

pavio.

Wednesday, February 25, 2009

pregnant brother

quando esse moleque crescer
apanhar da vida em várias idades
e crescer em todas elas
quando tiver a licenciatura tirada
com diploma em pele de carneiro
ou guardanapo de boteco
quando souber que não sabe nada
ou se achar que sabe tudo

quando esse moleque crescer vai entender
que não é do sangue que nasce um irmão
e por isso é bem válido que me chame de tio.

fácil vem, fácil fica

que mel é este
acariciando minhas papilas
quando verto o copo de cachaça?

doce e denso, desce e molha
quente a pena que, de pronto, escreve

em guardanapo de papel, fiel
às maluquices, cafonices e entranhices
de daniel.

Friday, February 13, 2009

o cara tava numas de amar a vida

se o sol ardia ou se só chovia, tava sempre no lucro. fazia tempo que não sorria tanto. decerto que também não se lembrava de tanta chapuletada duma só vez como naqueles tempos. e antes que julguem-no, despertos leitores, um aderente ao sadomasoquismo, fique claro que não optava por receber porrada. apenas acontecia. uma montanha-russa (alguém leu o capítulo sobre os hífens?) onde cada subida de perder o fôlego cede em segundos ao precipício propício (parafraseando aqui wado, de alagoas) seguinte, também cheio de emoção. e, no caso dele, aprendizado. nos dois turnos. dali pracolá foi um clique quando soube que ele tava saindo de um ponto em elipses deitadas, e não mais em círculos estáticos.

ah... mas aí ele riu

-se.

experiências são como livros

mesmo aquelas que parecem péssimas, sempre lhe deixam alguma coisa de bom.

Wednesday, February 11, 2009

a paz mora na pausa

no suspiro
no intervalo


não, não queira
não busque

pare e respire
paz, meu filho
acha-se, jaz
nas polivalentes
reticências

suspenda
prenda
interrompa
pisque
saia


e pacifique-se

Wednesday, February 04, 2009

vaia-me deus

valha-me dionísio

sem sentido

. . . . . .... . tô com um problema tátil que não escuto o cheiro de tom algum quando fecho a boca. . ... .. . mal das vistas?

Friday, January 30, 2009

siga o bêbado

pois ele sabe o que faz.. . . . pode fiar plenalmente, que ele é a parte sabida do subconsciente, aquele que sabe exatamente o que você gosta e do que precisa... quer exemplo maior do que o de ontem? depois de parar o carro lá embaixo, voltei subindo e assobiando, sem me preocupar em manter a linha reta, sem pressa nem sem ela de chegar em casa... tava no ponto... quando passei em frente ao leblon, botequim batuta em homenagem à wonder city... não foi a primeira nem a quinta nem a décima vez, mas a primeira em que algo me instigou a entrar, altas horas e altas doses, pra ver o que se passava... . . .de longe dava pra ver somente o sempre lindo baixo acústico, bom presságio... o som já soava divino e, depois de cantar a mocinha da entrada e me liberar do couvert (pago depois, com o maior sorriso estampado), peguei um chopp no balcão e fui mais pertim da banda... banda? o bocato, sempre líder nato, dividia humildemente a coroa com dois garotos apavorantes, maravilhosos, espetaculares. . .rubem farias baixolando freneticamente e vitor cabral em batuques alucinados, servindo, com o chef do trombone, o mais puro, lindo e não óbvio jazz. . .

não sei se é toda quinta e se são sempre (simbólicos, haja vista o espetáculo) R$6,00 para entrar. . .. a bebedeira (elevada nesse jazz stop, claro) permitiu apenas que eu perguntasse o nome dos músicos para a mocinha linda do caixa...

é.. .. . o bêbado também não podia ser perfeito, né? jazz na madruga, na próxima pego o nome da caixa...

Thursday, January 29, 2009

pernambucanomatopéia

tava ali fazendo uma sopa inventada e descobri mais uma metáfora para o que karina buhr e sua banda conseguem fazer... . . . . é fato que as atenções primeiras se voltam ao inescrevível sotaque da recifense.. . .inda mais se estamos com os olhos abertos, pois a geradora da voz é de um encantamento que devia operar o milagre de transformar homos em heteros.. . . .mas cerre os olhos para absorver a música. . . .assim como os elementos gastronômicos ressaltam aos nossos sentidos quando nos desprovemos de visão, assim apuramos o conjunto de cada instrumento, karina incluída... maravilhoso... escreveria mais um bocado sobre a ménina e sua banda... mas basta pra vcs a conhecerem e, como não tenho o talento desses músicos, corro pra cozinha pra batata não passar o ponto da beterraba...

Sunday, January 25, 2009

sampa é exclamação

vai, pode ver
do campim ao espigão
tá cheio de sampa
chamando atenção
cada bar, cada bairro
cada sua estação
e além das de trem
do inverno ao verão
pode ser daqui
ou fugiu do sertão
tem sempre uma sampa
para apresentação
beco sírio no brás
bar na consolação
vilas cheias de vidas
e na mooca, galpão
mineira na mercearia
carioca no mercadão
gaúcha na kopenhagen
baiana na contramão
sampa muita gente
santa movimentação
outrora reticente
sempre exclamação

Saturday, January 24, 2009

o que se espera de, o que se busca em

tão difícil quanto saber o que se espera de uma flor... é cor? equilíbrio? cheiro? passiva contemplação? fato é que nos encanta como um todo e nos detalhes mais pedunculares... se tivesse de escolher... ah, tire o perfume, mas por favor não me levem as cores... ou... de coração rasgado peço que privem-me de enxergar sua beleza, mas não vivo sem ter os pulmões cheios do cheiro de uma bela flor... .

cruel (taí uma excelente aplicação da palavra). . .. bem mais fácil dizer o que buscamos num carro: que nos leve e traga de lá, onde lá seja. aí vem, de quebra, se te leva com beleza, velocidade ou destreza... extras-função básica. . . . ..... .

agora.. . . como disse a menina lá pelos idos de 2000:

- o que você espera de uma mulher?

hoje sei mais que nunca
o segredo da história
o mistério além vida
de por quê se viver
e por isso vou rindo
não importa onde indo
hoje não tem pirraça
não tem choro nem ai
hoje eu descobri que
gosto do liso e da ruga
quero o pelo e a pele
preciso do joelho
não vivo sem o busto
desejo a atenção
amo a displiscência
a decisão me arrepia
e, incerta, me acaba
quando acho me perco
e se perco, me acho
então hoje repito
o que mais sei
é que sei nada
da minha mulher
e assim, o nada é tudo
busco nelas, uma
não sei porquê
mas sei o quê

Friday, January 23, 2009

cabeça limpa

entrei hoje no blog do washington olivetto e ele indicava o autor, ou melhor, excomungava quem não lesse julio cortázar. fui me livrar da pena e cheguei ao casa tomada. não consegui continuar o texto quando cheguei ao final da frase "buenos aires pode ser uma cidade limpa; mas isso é graças aos seus habitantes e não a outra coisa.". vou continur lendo cortázar agora mesmo, mas precisava registrar essa orgulhosa frase do hermano com seu povo. e confessar a pontadinha de inveja.

Wednesday, January 21, 2009

______a vida às vezes é como um velho tupperware.. ... ...

a gente fecha de um lado e ele abre do outro.

Tuesday, January 20, 2009

intenso

tensão
tesão
teso
te
t

Thursday, January 15, 2009

peixes, 15 de janeiro de 2009

eu li hoje no jornal
na seção zodiacal
finalmente, afinal
um dia sem acabar mal

ele disse, tava ali
será que me conhecia
olha bem, diversifica
e se espalha por aí

então eu, logo me safo
uso de interpretação
pra que sirvo, que função?
deus do céu, ora diabo!

sem resposta, sem clarão
queria até ser de leão
e a diversificação
virou versificação

e a diversificação
virou versificação

o mundo louco dos jornais e meus títulos banais

esteve nos de ontem, está nos de hoje e, mesmo que a vaca tussa, estará nos jornais de amanhã...

. . .... notícias antagônicas como a proposta de 110 milhões de euros do manchester city pelo kaká e os mais de mil palestinos (quase todos civis, a maioria crianças (!)) que foram aos ares como destroços secundários das bombas israelenses...

.. .. . dá, além de uma súbita e interrompida (macho que sou) vontade de chorar, a sensação de que qualquer coisa que eu faça, respirar, por exagerado exemplo, será estúpida e desnecessária... . . .logo... dois sintomas claros de depressão... . . ..

.. . compartilhando a dor com o mundo... mas só por um momento...


. . depois tenho de pensar nuns títulos (!) pra poder ganhar dinheiro.. . .


aí ainda penso no que uma menina linda me diz:

"...... . . . .pensa DE VERDADE NO QUE VC QUER. .. .. "


.
.
.

assim mesmo, com letras gigantes.

Wednesday, January 14, 2009

gracias, señorita.

pode dizer o que for agora

joga pro alto, xinga de tudo

quebra louça, desafora

inda diz que fiz conluio


vai, vai lá
já não me faz mais triste
porque o bem que me fizeste
não tem iguais, não volta atrás



ôxi... o bem tá feito.. não volta atrás.

Monday, January 12, 2009

efêmera tatoo

você abre o chiclé

e vem a tatuagem

que leva o sabor

a cor e o cheiro

ao seu dia inteiro



que nem levantar

tatuado de lençol

registro da noite

e o sonho que tive

antes de dormir

sombra qual?

vovó que me perdoe

mamãe também

e o padre, e o pai

a mãe do amigo

a tia do interior

o amigo lá de fora

o garçom, de manhã

e todos aqueles que carinhosamente se despedem pedindo que eu vá na sombra...

mas quando nosso sol não para de brilhar, que jeito?

Friday, January 09, 2009

minas

é simplesmente expctorante a quantidade de sincronicidades existentes nessas 5 letras e o que representam... e tudo culmina com uma só jóia (só para usar um dos possíveis e inúmeros trocadilhos) dessas férteis...minas..... mulheres magnificamente perfeitas... e, posso jurar que não correspondem a qualquer estereótipo criado, cultuado ou definido.... e ao mesmo tempo é exclusivamente e sob medida para a mesma concepção de uma mulher perfeita.. e reparem: não estou dizendo que é ideal.... . . mas. .. sim. .... .. perfeita...



faz covinhas quando ri

mais de uma, quase quatro

que se você lembra do ato

impossível também não rir


e muda de uma pra outra

sem deixar de ser si

como se o rebolado dissesse

tem eu, e tem eu...eu, e eu


dizem: "um mojito!"

que os olhos legendam:

dá um beijo.

e os lábios: agora!


e se solta, se tira, se deixa

e pega e foge que nunca vi

e me ardo, me perco, que ah

que coisa de minas!

Friday, December 26, 2008

tlec tlec o presente já passou tlec tlec

adorei te ver neste passado

vou adorar te ver neste que vem

e tô curiozaço pra sacar o nosso agora

Tuesday, December 23, 2008

o que faz você feliz

ia começar elogiando o publicitário que conseguiu estampar esta linda questão abaixo de uma marca de supermercados, mais habituados aos mais baratos, compre mais e super fácil da vida.

abri o brog para registrar o pensamento e o que mais decorreria, mas minha tradicional hiperatividade me fez reunir as roupas que levaria à lavanderia.

enquanto dava cabo ao maquinal serviço, pensei novamente no assunto. o que faz você feliz carrega um peso que nos cega à real importância do questionamento em si. afinal, quando fôssemos pensar nas coisas que nos deixam feliz, fatalmente outra pergunta se transporia no caminho: o que é felicidade?

logo, mudei a frase para "o que faz você sorrir".

aí sim. mesmo porque, sorrir é ser feliz. disso não tenho dúvida.

agora pense e faça sua lista.

sorrio quando vejo um copo cheio, uma minina de saia de algodão, um amigo, alguém sorrir, um gordão levando um cachorrim minúsculo pra passear, o mar, os bikinis, o céu, uma gentileza, casais sorrindo, a louça limpa, uma flor nova, a planta nascendo, meu cd perdido, uma carta antiga, uma foto velha...sorrio quando vivo uma experiência nova, derrubo um preconceito, tenho destruída uma verdade absoluta até então, quando meu time ganha, quando testemunho justiça, um nascer do sol, um pôr do sol, uma saia alçando vôo, uma criança correndo, uma criança brincando, uma criança falando, uma criança dormindo... sorrio quando uma música nada a ver toca no shuffle, quando alguém me surpreende, quando estou de um lado da rua, quando chegou ao outro, quando abro a janela, vejo ela, quando descanso, quando canto, quando ando, quando como, quando ouço, quando brinco, quando pulo sem precisar, quando durmo sem querer, quando chove e estou a toa, quando começa um amor, quando vivo um amor, quando termina um amor...

ave césar... é tanta coisa que só consigo pensar agora numa coisa que eu faço sem conseguir esboçar o mais pálido sorrisim... ..

assobiar...

é.. quando assobio eu não sorrio.

Monday, December 08, 2008

na teoria da flexibilidade. . . ... .. .

tudo é uma questão do enveeeeeeeeeerga mas num que-bra

óia de fora, sai docê.

a diferença abissal entre não gostar e experimentar berinjela, por exemplo.

- o quêêêê? berinjela? cretiiiiiina! que apunhalaaaaada de traiíra... sabes que não supooooorto berinjela! que de.ce.p.ção.... tsssss....

quanto disso é real? sabe-se lá quando foi a última vez que provou a bendita roxo-escura de chapéu verdim... mas negar sua apetitosidade é como defender a honra. olha o paquidérmico sobrombos que o cara carrega....

agora... imagine despi-los na simplicidade de um:

- cheuprováissoaqui..... !


ave césar.... o céu parece concha acústica para a estrondosa ruptura, subtraindo todo o peso na frigidez de um sopro gelado...

leveza, alívio e, por trás de tudo isso, sabedoria.... ah, sim...

mesmo que o caso se estenda por parcos minutos, concluindo com um definitivo....


- eca... isso é horrível...

Saturday, November 15, 2008

.. . . . tirei o dia pra cuidar de uma gripe.. . . o duro é a noite... .

de cara um redoxon
misturado com bergamota pilada
empurrando o ranço da garganta amanhecida

escova escova com escova separada
e manda um ovelete simples
e meio litro d´água

em seguida infusão inventada
dente d´alho, naco de gengibre, suco de um limão e mel, adido no final
sai vampiro, sai namorada

armoço, espaguéti com calabresa ralada, cebola ralada, gengibre ralado, môio e manjericão fresco
meio litro d´água, último copo enzimado por mais um redoxon
ê ê ê...me entupi de vita cê

e o dia segue na religiosidade ociosa... jornal à cama, leitura à cama, o dia à cama
pruma hora, enfim, cede a gripe e volto a bípede
e vem a noite. e venha a noite.


e amanhã tiro o domingo pra cuidar da gripe.

Monday, November 03, 2008

. . ... . . o pessimismo é a preguiça de acompanhar as boas mudanças. ... . ..

Saturday, October 25, 2008

céu dos infernos

não há fronteira geográfica instituída, física ou virtualmente.... impossível delinear os momentos de fusão, onde o céu vira inferno e no milímetro adiante aquela chapa quente onde deitamos de costas nuas ganha um banho de cepacol, uma torrente de ar fresco tão de repente que lembra entrar num banco ao meio dia no verão de ribeirão... mas o paraíso não pode ser simploriamente reduzido ao ar condicionado... . . .há os anjos e suas trombetas ... . imagine um azeitado trombone de vara e um sax tenor inimaginável... . são pedro num banquinho com o braço arqueado sob o braço do baixo. . . . . . não não... meus olhos enevoados reconhecem são pedro sim, mas quebrando surdamente na batéra. . . . . . na guitarra o são negão e no baixo um santo bem parecido com são pedro... e, tão aprupto quanto uma exclamação, voltamos a arder tão forte que é sequer possível lembrar o gosto de uma cerveja... . . . .e tá lá... tô no céu.... aaaaaaaah! que inferno.... até um ponto que preferi me distanciar do inferno...

saí da arena...


e fomos seguindo para a saída....


entre sombras...

e ouvindo o senhor dos céus (sonny rollins, em inglês) assoprando aquela extensão de seu corpo manco, em pleno meio dia de um sol que cancerava carecas no parque do ibirapuera...

Tuesday, October 14, 2008

referência de pele

tem de ser assim, que mistura textura
pedra pome molhada, bexiga cheia de farinha

que negative os riscos do sorriso e da surpresa
e volte sem vícios à forma de recém-nascida

que não deixe as rótulas escaparem por um triz
delineando-se precisas, na obliquidade retesada

tem de ser quente na nuca como a tomada da torradeira
e forrar glúteos que vão de 11º a 42º debaixo do cobertor

tem de ficar cheia de pontinhos ao suar com a língua
e singela mata rasteira a proteger a mãe

tem de dar lugar a outra, toda com seu jeito
muda até de cor e é coroada com mamilos

que, acima de tudo, combine com a minha
que, abaixo de tudo, seja a sua.

Wednesday, October 08, 2008

nem que chova victorinox 27 funções

a capitar anda fria como a lâmina fatal... alguém com bom senso, bons discos, bom viski, bons livros, boas idéias e uma boa dose de preguiça em casa não tem por quem sair..

Saturday, October 04, 2008

coletâneas de mim

já escrevi aqui, de algum outro jeito, sobre compilações musicais que fazemos no decorrer da vida como a conhecemos. e, ao recorrer ao meu pré ipod, o md, pude confirmar a suspeita: nós nunca mudamos. digo enfaticamente no quesito musical, mas penso que pode ser possível a analogia com outras cosas nostras. mas a questã é a seguinte: nossa percepção musical deve ser a mesma até o fim dos dias... o que fazemos é educá-la e alimentá-la com o que vamos descobrindo por aí. cada música nova preenche um espaço já a ela reservado num sempre "a completar" quebra-cabeça sonoro. gosto 97% das coisas que achei gravadas em cassetes na década de 90, de bob mcferrin a pat metheny.... me surpreendo com cada fita ou cd que gravei para namoradas, amigos, pai, irmã e para mim mesmo, com noriéis vilelas e jorge mautner... redescobri velhos ídolos como dom salvador e itamar "recordados" nos meus md´s... engraçado que a coisa muda quando penso em recuperar meu ipod, deixado na casa dum amigo... ali cabe tanta coisa que posso dizer que deve ter uns 14% que eu não gosto tanto... mas as demais são praticamente 100% de mim.

gozação ortográfica

quando ela disse, espantada:

- nossa... que falicidade toda é essa?

ele não se aguentou e caiu na gozação.

Thursday, September 25, 2008

marchinha da lei seca

segura o bafo aí, segura o bafo aí
que ele vai te parar logo ali

segura o bafo aí, segura o bafo aí
que ele vai te parar logo ali

se eu bebo e tô sem condição
eu baixo o freio de mão
seguro o volante na reta
e levo que nem bicicleta

lá lá lá lá lêlá lá lá lá lêlá lá lá lá lá lá lá lê

segura o bafo aí, segura o bafo aí
que ele vai te parar logo ali

segura o bafo aí, segura o bafo aí
que ele vai te parar logo ali

eu sei que o mundo gira
sou o próprio galileu
cê guarda a minha chave
que eu vô de condução

lá lá lá lá lêlá lá lá lá lêlá lá lá lá lá lá lá lê

segura o bafo aí, segura o bafo aí
que ele vai te parar logo ali

segura o bafo aí, segura o bafo aí
que ele vai te parar logo ali





(danzum e guizum)

Wednesday, September 24, 2008

olhei pra 23 e lembrei de você

(marchinha)


era quase fim do dia

e o céu lilás que se fugia

procê passar pela avenida

alumiando a escuridão


vai para frente empinadinha

rastro vermelho de batom

se vem de frente ri bem claro

em pico, a pino, seus faróis


e bem depois de findo o dia

agora em záz, ligeira, esguia

correndo embora essa menina

pra só me restar a canção

marchinha do bom retiro

eli ralô, ralô ali

eli ralô, ralô ali

óia lá ralá ali

o eli ralô ali

óia lá ralá eli

e ali ralô eli

eli ralô, ralô ali

eli ralô, ralô ali



(manso....dan....guizomba)

Monday, September 22, 2008

frio da peste

.. . . .... . . . meus dedos, mesmo evitando a duras penas o copo americano, congela ainda assim no pé da taça de vinho como língua presa no congelador... donde vem esse frio, singela dama? se é que faz sentido perguntar isso assim a ti. ... .. como que já julgando-te culpada do nitrogênio desprendido da minha espinha simulando a cerveja trincando quando pegamos pelo meio da garrafa.. . .donde vem esse frio cortante? sul... só puode ser...

Tuesday, September 16, 2008

o único ponto de vista inquestionável é a pupila. .

Thursday, September 11, 2008

higienes sinceras me interessam

ela o viu, depois de longo tempo, num domingo de manhã, como outrora foi costume dos dois. depois disso só na quinta por um breve instante que começa com ela indagando antes do lógico e simples oi:



- nossa! com a mesma roupa desde domingo!?

- duas coisas... (arrisca o garoto) acreditaria se lhe dissesse que é a segunda vez que uso essa roupa?

- ainnnnãão... (tipo um helo-ooou)

- errrr... então... saiba que faço questão de trocar de cueca todos os dias!

Monday, September 08, 2008

longo brinde à tecnologia

também sou desses que vira e mexe solta um: - isso já foi melhor. - mas o pogresso, que vem do trabalho, dizia confúcio barbosa do bixiga, quase me fez chorar agora há pouco. isso porque o fato ocorreu poucas horas depois do manifesto abaixo... ou seja, com catotas ainda maiores da poeira agreste do nordeste do estado.. .. . enfim... a emoção de abrir a geladeira da casa de mamãe, olhar para o lado e fechar os olhos na medida em que as bochechas eram comprimidas pelo sorriso... . .um série de latinhas de breja dispostas na vertical, transpiradamente geladas... arrá... calma lá... quedo, ma no droppo (?), pego a latinha e descubro que a ciência nunca bolou coisa tão maravilhosa, onde a latinha de breja é o teaser, e quando se puxa se revela um latão de quase meio litro... mas viva, sô.

rima seca

. . .. ... a aridez que empurra jatos de poeira pelos meus pêlos nasais faz do asfalto lava sólida em que evito pisar e do dia eterno inferno por qual tenho que passar... faz natisecas minhas lágrimas de saudade e só me resta resignar ao esforço de viver bastante pra poder te reencontrar.. .. .. ..

Friday, September 05, 2008

ode al dente

ele escapa na hora do pistache

e rói quando tá nervoso

o que é diferente de ranger quando tá bravo

fica vermelho quando morde a língua

e com pedacim de verde quando pica a alface

fica que nem mentex quando imita a mônica

e todo babado quando imita o matosão

vira trave quando o vizinho tá banguela

e lembrança no potinho, se era de leite

ou ainda estrelinha, se fosse pra baixo do travesseiro

quase entorta brigando com tampinha

solta lasca quando o beiço beija o chão

amarela com café e enrubresce com amora

se amarra num fio dental

e morde a língua pro assovio

mas tem hora que ele escancara.

exibido, estrelão, todo todo.

quando à sua frente vê, pela brecha do beiço, ao virar a esquina pra entrar no elevador, toda de roxinho em vários tons, dos pés aos óculos, de vestido e detalhezins tão graciosins, a moça. ave césar... aparecido que o menino e toda sua cambada fica, quando a arrebenta no sorriso pra moça.

há prédios que não sabem ter janelas

meu abominável senso de estética que espreita sobre meus ombros, da moda vestuária às escolas arquitetônicas, grunhiu lamentoso quando eu observava os azulejados aríetes verticais da orla de santos. irônico, ácido e sarcástico, comentou dando de ombros que talvez morasse aí resposta para o fato de muitos deles estarem caindo, mais gravitacional do que literalmente falando. ri de canto com a nefasta observação e atentei para a indecisão dos que criam as linguagens visuais, se é que assim se chama isso. ficam entre linhas verticais e horizontais como eu entre o salame hamburguês e o jamón. o que prevalece em alguns deles é o voto de minerva: os dois. que maraviiiilha. mas o que me deixou mais triste do que esteticamente ferido (que bicha que ficou isso, hahaha) foi o comprimento e estilo das janelas. inflacionando o desastre estão sacadas enjaneladas. peloamordoamor (!). preciso falar com alguém que entenda do negócio para discutir algumas idéias de esquadrias que tive no momento. entendem-me? não bastasse o fato em si, lembremos que ao vislumbrar pitoresca cena, estamos de costas para árvores, pedras, areia, mulher de biquini, água salgada e navios!!!! bom, ocorreu-me agora um argumento que contrapese a questão. com um visual desses, qualquer buraco na parede tá de bom tamanho.

Saturday, August 30, 2008

wrong bottom

tem gente que troca a esquerda pela direita

outra gente que troca a chave de casa com a do escritório

quem nunca passou o condicionador antes do shampoo?

vestiu regata em dia que vai ficar frio

ou acordou sábado crente que era sexta

tem gente que confunde sax com clarinete

ou keith jarret com brad mehldau

mas.. ... . . o que fode mesmo a cidade e o ânimo de qualquer um,

é gente que troca o botão do rádio pelo da buzina.

Tuesday, August 26, 2008

otimista invertebrado

na hora do tapa na bunda ele deu risada,
e nunca mais parou.

era uma maravilha nascer já com mamilo nos lábios,
e nunca mais sarou.

no maternal achava mágico encaixar os cubos nas casinhas,
e calçar um sapato gigante no tanque de areia.

se lambuzava de manga com o prazer de estrear uma roupa nova,
ainda melhor se fosse na própria estréia.

quando bateu o queixo na beira da piscina, no pré,
jorrava dum rasgo sangue, doutro lágrimas de felicidade.

achava tão lindo o céu contrastando com o telhado,
como sua água vermelha no real azul da piscina.

tempos depois trajou capa-toalha e atirou-se do telhado da casa da tia,
na próxima, jurava para si mesmo, iria para o alto, e avante.

e os dias no hospital foram a glória...enfermeiras lá estavam só para ele,
admirando sua evolução no álbum de figurinhas.

como resgistrava o prodigioso curriculum vitae do garoto, a vida assim se mostrou...quebrou perna, braço, cabeça, coração, caras, e caras e caras, casas...

.. . .e nunca conseguiu deixar de ser um otimista invertebrado.

Monday, August 18, 2008

uma pessoa

conhece outra pessoa

não se sabe bem ao certo desde quando

ou quando foi a primeira vez

têm simplesmente a impressão de que estão juntos

sem algemas (visíveis), sem vínculo maior

que o limite metafísico permita

mas são e se sentem como se um fosse o outro

e o outro, o um

não consigo entender

mesmo com tanta desordem, discórdia, diferença...

uma coisa é igual e endêmica

do sentimento de amor

entre um filho e seus pais.

Friday, August 15, 2008

chorei às pitangas

vermelha que sangra à viva pele
esticada como couro em tambor
que quase e sozinha se rebenta
só de eu assim a olhar

vibra atrás, clamando foco
a viva folha em verde brilho
mas só realça coroa em frente
já em gotas estão meus olhos

chora aí você, rubra
que choro cá eu, turvo

Tuesday, August 12, 2008

ter saudade é luxo esnobe

esquisitos os dias de hoje .

sentir saudade dá mais vergonha que desnudar. .

. não se percebe a mínima hesitação em lançar um...

.não é problema meu.


que sacanagem!

Monday, August 11, 2008

vá se catarse

faz um bem danado

Saturday, August 09, 2008

passarim caiçara num bebe água do mar

Tuesday, August 05, 2008

... .. . .working the mind, the body, the spirit and that it makes possible all of them.. . . .

Saturday, August 02, 2008

"...a mulher tem que ter qualquer coisa além da beleza...qualquer coisa de triste...qualquer coisa que chora...qualquer coisa que sente saudade..."

o que o vininha esqueceu de dizer é que mulher tem que ter qualquer coisa que percorre 13km sem sair do mesmo bairro....... ..


.. . .. tem que ter qualquer coisa que frisa meus olhos .. . . ....


. . . .... . ..tem que ter quaisquer costas que derretam meus dedos .. . .. .


. .tem que ter qualquer ombro que aconchegue a cabeça . .... .



... . ..tem que ter quaisquer cílios que raspem nas nuvens. . .... .


... . .. tem que ter quaisquer olhos de mel infinito... . . ..


.. . .. tem que ter o trejeito espoleta, sapeca e adulta . .. ...


. . .. .. . ..tem que ter fé, minina... . . . .



...tem que ser feminina . .. . ... ..



só de cor.. . fê minina.

Monday, July 28, 2008

o cara mais burro do mundo é o sapo.

sem ofensa pro burro, que não tem nada a ver com a história. o caso é que não dá pra entender onde é que alguém enxerga evolução no sapo vir pra terra.... em primeiro lugar porque o bicho mutacionou dum jeitim nojento pra burro, né (xi... óia lá o eqüino (adoro trema) de novo injustiçado)....? só não o chamo de viscoso porque para mim a palavra é bem melhor empregada quando assim designo afetuosamente aquele que é o melhor amigo do homem ou, parafraseando vininha, é o cachorro engarrafado.... é asqueroso, apesar de saltitante (que tem lá sua graça, menos que a garça (hoje tô péssimo de piada (só hoje, hahahaha))... e tem a deliciosa vantagem de divertir muito a gente quando pivete, que soltava-os em rebanho no banheiro das meninas... massss... tendo o universo aquático como ecossistema... poder nadar sem fronteiras, salgar até as veias, varar que nem tozóide em vagina por mananciais e igarapés, sem camisinha, desviar das mocréias e flertar com corais, dropar na queda do gelo ou pela correnteza suboceânica, entrar no fiofó do mundo e sair na cidade de netuno, trepar com boto no amazonas ou descobrir ossadas de famosos no tâmisa, paquerar poliquetas, esfregar as costas com esponjas vivas, trotar em cavalo marinho e duelar com o peixe espada, morar debaixo da golden gate ou na barriga do monstro de lockness...

la concha de tu madre...

por que diabos o cara ia querer deixar essa vida de girino?


......


ah... tem o lance de comer a perereca.. que se não fosse uma péssima (mais um capíííítulo) piada, seria até uma boa desculpa.

Thursday, July 24, 2008

tem horas que a vida inteira passa na frente dos nossos olhos...

...e mesmo assim o tempo não passa.

Wednesday, July 23, 2008

resistir a um cigarro é fácil como resistir à vontade súbita de um chocolate.

não fosse a bem mais elevada freqüência da vontade do primeiro